quinta-feira, 22 de maio de 2014

O Escaravelho de Ouro

A coleção O Escaravelho de Ouro surgiu em 1950, propriedade da Empresa Editorial Édipo, LDA. Editava autores de qualidade e algumas obras de publicação recente.
Para se promover, esta coleção sorteava, por cada livro que saía, uma viagem a uma cidade de outro país. A primeira foi a Londres, a segunda a Roma, a terceira e a quinta  a Paris, a quarta a Madrid e a sexta ao Rio de Janeiro. Este sorteio era feito por um sistema de senhas numeradas que acompanhava cada exemplar. Quem tivesse as senhas correspondentes a 12 livros  diferentes poderia  habilitar-se  a uma viagem de volta ao mundo.
A coleção publicou 40 volumes.
Os primeiros cinco volumes da coleção foram:
1 – Três igual a um, de Stanislas A. Steeman.
2 – Homem ao mar, de F. Wills Crofts
3 – Jogo duplo, de Lucien Prioly
4 – Rapto na morgue, de Jonathan Latimer

5 – Missão trágica, de Richard Starnes

capa do nº 6

terça-feira, 13 de maio de 2014

Perigo Duplo

Alex Cross vê-se envolvido na perseguição de um assassino em série que gosta de matar para assistências públicas, e que faz tudo para que seja Alex Cross a estar na investigação dos crimes.
Entretanto Kyle Craig, um assassino em série preso por Cross, consegue fugir da prisão e este aguarda que ele venha à sua procura.
Foi o primeiro livro de James Patterson que li. Percebi que este romance pertence a uma saga, com personagens que vêm do passado. Apesar dessa fundamentação em episódios anteriores, não há qualquer interferência no relato descrito em Perigo Duplo.
É uma história de uma perseguição, sem qualquer investigação policial, onde o autor gere a ausência de informação que o protagonista não tem, mas que o leitor vais tendo, uma vez que há capítulos narrados pelo criminoso.
A trama é pouco realista, e o autor exagera na forma fácil como o assassino consegue atuar, sem que surja a mínima interferência de quem observa. Sendo uma obra em que o “polícia ganha”, (pelo menos parcialmente), toda a ação decorre na dependência da vontade do criminoso. Alex Cross vagueia pelas pistas falsas e verdadeiras que o criminoso deixa e o desenlace dá-se por acaso, não pela capacidade de dedução ou pela perspicácia do protagonista.
Se o assassino domina o relato, gosto de criar empatia com ele, e ver que no fim ele se salva. Se é o polícia que protagoniza a investigação, gosto que ele “faça pela vida”, e que o seu trabalho de pesquisa resulte na descoberta do criminoso.

Pelas razões já expostas, não foi um livro que me tenha fascinado.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O Mistério da Estrada de Sintra

Eça de Queiróz e Ramalho Ortigão não ficaram na história da literatura por serem autores de livros policiais, no entanto, são considerados os precursores da Literatura Policial Portuguesa.
A obra que escreveram em parceria, O mistério da estrada de Sintra,  nasceu de uma ideia de Ramalho Ortigão, e foi publicado em folhetim entre 24 de Julho e 27 de Setembro de 1870 no Diário de Notícias e mais tarde em livro.
Publicado diariamente sob a forma de cartas anónimas, o mistério intrigou os leitores da época, criando um clima de dúvida sobre o que realmente se teria passado, e fazendo acreditar que os factos eram verídicos. Apenas em 27 de Setembro Eça de Queirós e Ramalho Ortigão se identificam como os autores das cartas, classificando os textos como ficção.
Deve realçar-se que, alguns anos mais tarde, em 1884, numa das edições publicadas em livro, os autores consideram a sua obra execrável, fazendo mesmo humor com pormenores do texto que tinham escrito 14 anos antes.
Não existe nesta obra uma investigação nem uma ação do criminoso que tenta iludir a justiça. Todo o romance é a narração de um crime, em que só no final se sabe quem o cometeu. Sabem-se os pormenores porque os diferentes protagonistas os vão narrando e não porque sejam resultantes de investigação. Noutros países já se escreviam obras, que sem dúvida tendo uma qualidade literária menor, tinham no entanto características policiais muito mais evidentes.
Para quem nunca leu e quer conhecer a evolução da literatura policial portuguesa não deixa de ser uma obra de referência.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Patricia Highsmith

Patricia Highsmith, (1921-1995), foi uma escritora norte-americana que publicou a sua primeira obra em 1950,Strangers on a Train, editada em Portugal pela Colecção Vampiro sob o título O desconhecido do Norte-Expresso. Este romance foi  adaptado ao cinema  logo no ano seguinte por Alfred  Hitchcock, sendo Raymond Chandler um dos dois escritores que fizeram a adaptação da novela para o argumento cinematográfico.
As personagens que Patricia Highsmith  cria  são psicologicamente densas, com os seus recalcamentos e frustrações a aflorarem quando as circunstâncias as  atiram para comportamentos fora da norma., vivendo por vezes à margem da lei.
A sua criação mais famosa é Mr. Ripley, o assassino sem escrúpulos, completamente amoral, que mata por prazer, que mata para obter lucro e que escapa sempre à polícia.
Quando Mr Ripley surgiu, já havia na literatura policial personagens principais que estavam á margem da lei. Mas a sua marginalidade era simpática. Quase sempre era o bandido que acabava por ajudar a polícia, mesmo contra a vontade desta, e que vivia à margem da lei devido às injustiças da sociedade ou do sistema judicial.
Ripley é diferente. É simplesmente um assassino e o leitor aceita-o como tal e deseja que ele escape.
São cinco as novelas que Patricia Highsmith escreveu para esta personagem:

The Talented Mr Ripley, Ripley Underground, Ripley's Game, The Boy Who Followed Ripley E Ripley Under Water.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Não é policial, mas é meu


Uma história, não policial, que me diverti a escrever.
Os eventuais interessados podem encontrá-lo aqui, aqui, ou  aqui.

domingo, 20 de abril de 2014

Grandes Mistérios

A coleção policial Grandes Mistérios, editada pela Romano Torres, surgiu em 1943 e editou 151 livros, tendo o último volume saído em 1970.
Uma parte muito significativa dos títulos publicados são da autoria de Gentil Marques e da sua esposa Maria Amália Marques, sob a capa de inúmeros pseudónimos.
Na lista dos autores dos 10 primeiros volumes da coleção é possível referenciar  James Strong, Marcel Damar, G. D. Richardson e Herbert Gibbons como pseudónimos de Gentil Marques. John S. Falk foi um pseudónimo de Maria Amália Marques.
Quanto ao nome de Philip Barnne, não consegui encontrar nenhuma informação, mas será também, muito provavelmente, um pseudónimo de um dos elementos do casal.

Primeiros dez volumes.
1. Os cinco suspeitos de Park-House, James Strong
2. O mistério da bailarina chinesa, John S. Falk
3. Fui morto por um fantasma, Marcel Damar
4. O crime do Stúdio nº 7, G. D. Richardson
5. O enigma de Queen’s street, Herbert Gibbons
6- Noites tenebrosas de Xangai, John S. Falk
7. A morte espreita pela janela, James Strong
8- O crime da estrada de Colchester, Philip Barner
9- Três enforcados numa corda, Herbert Gibbons
10- O assassino mora no rés-do-chão, Marcel Damar

Fica a imagem da capa do número 113, numa fase, depois do número 80, em que a coleção começou a publicar autores estrangeiros.
Por curiosidade, refira-se que o autor deste livro, John Creasy, foi também um dos escritores que mais pseudónimos usou, como se refere aqui.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O Enigma do Mandarim

O Enigma do Mandarim, The Speaker of Mandarim, foi publicado em Portugal em 1988, cinco anos após a sua edição na língua original, e é o décimo segundo romance com a personagem do inspetor Wexford.
A história é narrada em dois tempos. Numa fase inicial, Wexford encontra-se na China em representação oficial, onde estabelece contacto com um grupo de turistas ingleses e onde é vítima de enigmáticas visões.
Numa segunda fase, após o regresso, Wexford tem que investigar a morte de uma das turistas, ocorrida já em território inglês, obrigando-o a estabelecer o contacto com mais alguns dos viajantes e a tentar relembrar os episódios a que assistiu na China, com a dificuldade de ter que destrinçar entre o que foi alucinação e o que foi real.

Há vários anos que tentava encontrar este livro, o que consegui recentemente, daquela que é a minha autora favorita, Ruth Rendell.

domingo, 6 de abril de 2014

A Sentinela

Pedro Coutinho, construtor civil com um bom relacionamento nas áreas de topo do poder político, é assassinado.
Henrique Monroe, inspetor da Polícia Judiciária, é destacado para chefiar a investigação, tendo a apoiá-lo a inspetora Luci.
Num homicídio que se evidencia pela violência, várias são as pistas a seguir. Teria Coutinho sido morto para não divulgar as ligações corruptas que tinha com alguns políticos, e que tinham sido essenciais para alguns contratos que efetuou? Estaria a morte do construtor civil relacionada com a atitude que tomara em defesa da sua filha adolescentes, que teria sido vítima de abusos sexual? Poderia ser uma das suas amantes a assassina?
Na narração da investigação, cruza-se a vida pessoal e familiar de Monroe com um presente totalmente condicionado pelo que foi a sua infância nos Estados Unidos e pela sua relação com a mãe, o pai e o irmão.
Gostei da parte do romance que se refere ao crime, às suas causas, à investigação e ao pormenor que permitiu descobrir quem matou Pedro Coutinho. Já não gostei tanto dos aspetos relacionados com o passado de Monroe, das descrições dos seus relacionamentos familiares, e da forma como ambos cruzam a investigação.

Foi o segundo livro de Zimler que li. O primeiro, há já alguns anos, foi O último cabalista de Lisboa, que me deixou fascinado, pelo que aguardava igual sensação com este, o que não sucedeu.
Mesmo sem me deslumbrar, foi um livro de que globalmente gostei.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Uma Aventura Inquietante

José Rodrigues Migueis é um dos mais importantes escritores do século XX, com vasta obra publicada. Entre os livros de que é autor encontra-se um romance policial, dos mais bem escritos e concebidos por autores portugueses, intitulado “Uma aventura inquietante”.
Foi publicado no semanário “O diabo” entre 16 de Setembro de 1934 e 12 de Julho de 1936. Desde que se iniciou o folhetim e até 23 de Junho de 1935 a publicação foi regular. Nessa data, o escritor partiu para os Estados Unidos, ficando o romance inacabado. Viria a recomeçar em 7 de Junho de 1936, devido aos insistentes pedidos dos leitores, que queriam saber como terminaria a história.
Só nessa altura se soube que o autor do romance era José Rodrigues Miguéis, que iniciara a publicação da obra sob o pseudónimo de Ch. Vander Bosch, autor belga, aparecendo o seu nome apenas como tradutor da obra.
Em 1958 a obra surgiria em livro, tendo-lhe o autor introduzido um texto no início, “À laia de introdução”, e um posfácio, “Começo e fim de uma aventura”.
O livro descreve as atribulações de um português, Zacarias d’Almeida, natural de Alcanhões, enredado numa situação de troca de identidades por terras do norte da Europa.
A construção do romance cria um ambiente muito intenso, deixando o leitor na perspetiva de pensar que já percebeu toda a trama, e de repente vê tudo a baralhar-se novamente. A ação segue um ritmo fulgurante, cheio de peripécias e incidentes, prendendo sempre a atenção de quem lê.
Não deve o leitor também deixar de apreciar o humor cáustico de José Rodrigues Miguéis sobre as instituições da época, comparando com o que se passa nos dias de hoje e percebendo a sua atualidade.
Trata-se de uma obra única no panorama da literatura policiaria em Portugal, pela construção do enredo e pela própria construção narrativa, que deixa o leitor a duvidar sobre quem será o narrador.

Uma obra que todos os gostam de boa literatura e de boa literatura policial não devem perder.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Mário Domingues

Faz hoje 77 anos que faleceu, em 24 de março de 1977, Mário Domingues.
Nascido na ilha do Príncipe em 3 de Julho de 1899, que  na época era parte constituinte do território português ultramarino, veio ainda criança para  a metrópole, para casa de uma avó.
Publicou a sua primeira novela policial, O Homem sem boca, que ficou incompleta, na coleção  Novela Policial. Em 1954, no primeiro número da coleção ABC Policial, editada por Artur Varatojo, Mário Domingues deu um final a essa novela.
No que concerne à literatura policial escreveu apenas um romance sob o seu nome, O crime de Sintra, em 1938, publicado no número 14 da coleção Detective. Todos os outros foram publicados sob os mais variados pseudónimos. Fica aqui a lista de alguns que Mário Domingues utilizou, não sendo de excluir que existam outros ainda desconhecidos: Fred Criswell, Henry Jackson, James Black, Joe Waterman, Marcel Durand, Max Felton, Nelson McKay, Peter O’Brion, Thomas Birch e W. Joelson.
Na literatura para os mais jovens criou o aventureiro russo Anton Ogareff e o cow-boy Billy Keller, com vários livros publicados, utilizando um pseudónimo com nome duplo, Henry Dalton e Philip Gray.
Teve também obra de relevo na divulgação da história de Portugal, com a publicação das biografias de várias personagens históricas, que lhe valeu a atribuição do grau de Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, destinada a distinguir individualidades de relevo nas Ciências, nas Artes e nas Letras