quinta-feira, 24 de abril de 2014

Não é policial, mas é meu


Uma história, não policial, que me diverti a escrever.
Os eventuais interessados podem encontrá-lo aqui, aqui, ou  aqui.

domingo, 20 de abril de 2014

Grandes Mistérios

A coleção policial Grandes Mistérios, editada pela Romano Torres, surgiu em 1943 e editou 151 livros, tendo o último volume saído em 1970.
Uma parte muito significativa dos títulos publicados são da autoria de Gentil Marques e da sua esposa Maria Amália Marques, sob a capa de inúmeros pseudónimos.
Na lista dos autores dos 10 primeiros volumes da coleção é possível referenciar  James Strong, Marcel Damar, G. D. Richardson e Herbert Gibbons como pseudónimos de Gentil Marques. John S. Falk foi um pseudónimo de Maria Amália Marques.
Quanto ao nome de Philip Barnne, não consegui encontrar nenhuma informação, mas será também, muito provavelmente, um pseudónimo de um dos elementos do casal.

Primeiros dez volumes.
1. Os cinco suspeitos de Park-House, James Strong
2. O mistério da bailarina chinesa, John S. Falk
3. Fui morto por um fantasma, Marcel Damar
4. O crime do Stúdio nº 7, G. D. Richardson
5. O enigma de Queen’s street, Herbert Gibbons
6- Noites tenebrosas de Xangai, John S. Falk
7. A morte espreita pela janela, James Strong
8- O crime da estrada de Colchester, Philip Barner
9- Três enforcados numa corda, Herbert Gibbons
10- O assassino mora no rés-do-chão, Marcel Damar

Fica a imagem da capa do número 113, numa fase, depois do número 80, em que a coleção começou a publicar autores estrangeiros.
Por curiosidade, refira-se que o autor deste livro, John Creasy, foi também um dos escritores que mais pseudónimos usou, como se refere aqui.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O Enigma do Mandarim

O Enigma do Mandarim, The Speaker of Mandarim, foi publicado em Portugal em 1988, cinco anos após a sua edição na língua original, e é o décimo segundo romance com a personagem do inspetor Wexford.
A história é narrada em dois tempos. Numa fase inicial, Wexford encontra-se na China em representação oficial, onde estabelece contacto com um grupo de turistas ingleses e onde é vítima de enigmáticas visões.
Numa segunda fase, após o regresso, Wexford tem que investigar a morte de uma das turistas, ocorrida já em território inglês, obrigando-o a estabelecer o contacto com mais alguns dos viajantes e a tentar relembrar os episódios a que assistiu na China, com a dificuldade de ter que destrinçar entre o que foi alucinação e o que foi real.

Há vários anos que tentava encontrar este livro, o que consegui recentemente, daquela que é a minha autora favorita, Ruth Rendell.

domingo, 6 de abril de 2014

A Sentinela

Pedro Coutinho, construtor civil com um bom relacionamento nas áreas de topo do poder político, é assassinado.
Henrique Monroe, inspetor da Polícia Judiciária, é destacado para chefiar a investigação, tendo a apoiá-lo a inspetora Luci.
Num homicídio que se evidencia pela violência, várias são as pistas a seguir. Teria Coutinho sido morto para não divulgar as ligações corruptas que tinha com alguns políticos, e que tinham sido essenciais para alguns contratos que efetuou? Estaria a morte do construtor civil relacionada com a atitude que tomara em defesa da sua filha adolescentes, que teria sido vítima de abusos sexual? Poderia ser uma das suas amantes a assassina?
Na narração da investigação, cruza-se a vida pessoal e familiar de Monroe com um presente totalmente condicionado pelo que foi a sua infância nos Estados Unidos e pela sua relação com a mãe, o pai e o irmão.
Gostei da parte do romance que se refere ao crime, às suas causas, à investigação e ao pormenor que permitiu descobrir quem matou Pedro Coutinho. Já não gostei tanto dos aspetos relacionados com o passado de Monroe, das descrições dos seus relacionamentos familiares, e da forma como ambos cruzam a investigação.

Foi o segundo livro de Zimler que li. O primeiro, há já alguns anos, foi O último cabalista de Lisboa, que me deixou fascinado, pelo que aguardava igual sensação com este, o que não sucedeu.
Mesmo sem me deslumbrar, foi um livro de que globalmente gostei.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Uma Aventura Inquietante

José Rodrigues Migueis é um dos mais importantes escritores do século XX, com vasta obra publicada. Entre os livros de que é autor encontra-se um romance policial, dos mais bem escritos e concebidos por autores portugueses, intitulado “Uma aventura inquietante”.
Foi publicado no semanário “O diabo” entre 16 de Setembro de 1934 e 12 de Julho de 1936. Desde que se iniciou o folhetim e até 23 de Junho de 1935 a publicação foi regular. Nessa data, o escritor partiu para os Estados Unidos, ficando o romance inacabado. Viria a recomeçar em 7 de Junho de 1936, devido aos insistentes pedidos dos leitores, que queriam saber como terminaria a história.
Só nessa altura se soube que o autor do romance era José Rodrigues Miguéis, que iniciara a publicação da obra sob o pseudónimo de Ch. Vander Bosch, autor belga, aparecendo o seu nome apenas como tradutor da obra.
Em 1958 a obra surgiria em livro, tendo-lhe o autor introduzido um texto no início, “À laia de introdução”, e um posfácio, “Começo e fim de uma aventura”.
O livro descreve as atribulações de um português, Zacarias d’Almeida, natural de Alcanhões, enredado numa situação de troca de identidades por terras do norte da Europa.
A construção do romance cria um ambiente muito intenso, deixando o leitor na perspetiva de pensar que já percebeu toda a trama, e de repente vê tudo a baralhar-se novamente. A ação segue um ritmo fulgurante, cheio de peripécias e incidentes, prendendo sempre a atenção de quem lê.
Não deve o leitor também deixar de apreciar o humor cáustico de José Rodrigues Miguéis sobre as instituições da época, comparando com o que se passa nos dias de hoje e percebendo a sua atualidade.
Trata-se de uma obra única no panorama da literatura policiaria em Portugal, pela construção do enredo e pela própria construção narrativa, que deixa o leitor a duvidar sobre quem será o narrador.

Uma obra que todos os gostam de boa literatura e de boa literatura policial não devem perder.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Mário Domingues

Faz hoje 77 anos que faleceu, em 24 de março de 1977, Mário Domingues.
Nascido na ilha do Príncipe em 3 de Julho de 1899, que  na época era parte constituinte do território português ultramarino, veio ainda criança para  a metrópole, para casa de uma avó.
Publicou a sua primeira novela policial, O Homem sem boca, que ficou incompleta, na coleção  Novela Policial. Em 1954, no primeiro número da coleção ABC Policial, editada por Artur Varatojo, Mário Domingues deu um final a essa novela.
No que concerne à literatura policial escreveu apenas um romance sob o seu nome, O crime de Sintra, em 1938, publicado no número 14 da coleção Detective. Todos os outros foram publicados sob os mais variados pseudónimos. Fica aqui a lista de alguns que Mário Domingues utilizou, não sendo de excluir que existam outros ainda desconhecidos: Fred Criswell, Henry Jackson, James Black, Joe Waterman, Marcel Durand, Max Felton, Nelson McKay, Peter O’Brion, Thomas Birch e W. Joelson.
Na literatura para os mais jovens criou o aventureiro russo Anton Ogareff e o cow-boy Billy Keller, com vários livros publicados, utilizando um pseudónimo com nome duplo, Henry Dalton e Philip Gray.
Teve também obra de relevo na divulgação da história de Portugal, com a publicação das biografias de várias personagens históricas, que lhe valeu a atribuição do grau de Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, destinada a distinguir individualidades de relevo nas Ciências, nas Artes e nas Letras

quinta-feira, 20 de março de 2014

O mistério da casa vermelha

A. A. Milne publicou The Red House Mistery em 1922, constituindo-se o livro um sucesso de vendas imediato. O autor viria a ser conhecido mundialmente, pela criação posterior a esta data das personagens Winnie-the-Pooh e Christopher Robin, que a Disney adaptaria ao cinema.

Marc Ablett, o proprietário da casa vermelha, gostava de ter sempre convidados na sua casa. Foi na tarde de um dia em que as cinco pessoas que ele convidou foram jogar ténis, que chegou o seu irmão residente na Austrália há vários anos. Além de Marc, encontravam-se na casa o seu primo e homem de confiança, Mathieu Cayley, e todos os empregados.
Foi numa sala fechada que, logo após a sua chegada, apareceu morto Robert, o irmão de Marc.
A investigação foi feita por Antoine Gillingham, que surgiu na casa segundos após o crime ter ocorrido, para visitar um dos convidados, Bill Beverley.
O autor pretendeu fazer de Antoine um novo Sherlock Holmes e de Bill um Watson, que ia questionando Antoine para que ele expressasse o seu raciocínio dedutivo.

Como em muitas obras desta época, na literatura policial inglesa, estamos perante a aristocracia britânica, com pessoas que vivem apenas dos rendimentos, nada fazem e com as casas cheias de empregados para todos os serviços.
Embora a forma como o crime foi cometido seja bastante interessante, todo o processo de investigação é muito pobre e as motivações e atos das personagens são muito inverosímeis.
Sem dúvida que é uma obra de qualidade mais baixa que as de outros autores ingleses contemporâneos de Milne.

A edição portuguesa é de 1955 e foi publicada na Colecção Xis.

quinta-feira, 13 de março de 2014

O caso da moldura dourada

O Caso da Moldura Dourada foi o livro que iniciou a colecção Clube do Crime da editora Europa-América. A obra original, The Beautiful Golden Frame, foi publicada em 1980, sendo imediatamente traduzida para português e publicada, de modo a marcar a abertura da coleção com uma obra contemporânea.
O livro tinha uma capa original, em que a moldura de um espelho se apresentava em relevo.
A história descrevia mais um caso do detective Mark Preston, a criação de Peter Chambers, pseudónimo do escritor Dennis Phillips, numa narrativa que por vezes se torna um pouco confusa.
Mark Preston é contratado pelo milionário Bernard Rivers, quando a sua casa sofre a ameaça de ser incendiada por uma mulher que ele julga enlouquecida.  Rivers acha que mais do que o objetivo de queimar a casa existe a vontade de queimar um retrato da sua falecida esposa.
O desenvolver da investigação vai levar Mark Preston ao mundo do falecido autor do retrato e à tentativa de estabelecer uma ligação com a ameaça que  milionário está a sofrer.
Se o desenlace da história é bem conseguido e a própria sequência da trama, apesar de seguir por vezes caminhos menos claros, mostrar um ritmo bem interessante, já o mesmo não se pode dizer em relação à razão pela qual o detective é contratado. É o ponto fraco de todo o enredo.

sábado, 1 de março de 2014

Georges Simenon

Georges Simenon -(1903-1989)- marca a literatura policial com a sua personagem Maigret, comissário da polícia Judiciária Francesa.
Simenon trouxe um novo estilo ao romance policial da Europa. Com ele o crime passou a ser um mero acessório da história. As personagens são o mais importante; os seus impulsos, os seus ódios, os seus amores e o meio social onde vivem. O criminoso comete sempre o crime porque um conjunto de razões exteriores o levam a isso.
Simenon retrata toda a sociedade francesa, desde a mais alta sociedade burguesa e aristocrática, às prostitutas e bêbados dos bairros que vagueiam nas ruas, mostrando como surge o crime e o que o motiva. Expõe o íntimo das personagens, e é essa a via utilizada para colocar Maigret a descobrir o criminoso.
Com Simenon existe sempre uma razão objetiva e real para cometer o crime e, muitas vezes, o criminoso recebe a compreensão e simpatia do polícia, que o prende apenas porque é o seu dever.
Apesar de ter um grande número de romances e novelas utilizando a personagem  de Maigret, Georges Simenon tem ainda mais obras em que não o faz, tornando-se num escritor extremamente prolífico, mas mantendo uma elevada qualidade, criatividade e originalidade.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O Colecionador de erva

Francisco José Viegas é um caso de longevidade na escrita de livros policiais. Desde 1987 que Jaime Ramos e Filipe Castanheira, em conjunto ou individualmente, são protagonistas na investigação de crimes. Com alguns dos seus livros seus publicados na França, no Brasil, na Alemanha, na Itália e na República Checa, este autor é um exemplo de que é possível criar ambientes de investigação criminal em Portugal e exportá-los para outros públicos.
Jaime Ramos, inspetor da Polícia Judiciária, a personagem criada por Francisco José Viegas, aparece mais uma vez na investigação de um conjunto de mortes. Surgem cadáveres, aparentemente sem ligação, obrigando Ramos e a sua equipa ao trabalho de averiguação, tentando ligar essas mortes ao desaparecimento de uma jovem de uma família tradicional do norte do país.
 Embora sendo polícia, fica-se por vezes com a dúvida de qual é o lado em que Jaime Ramos ou os seus subordinados se colocam, nomeadamente quando, como ocorre nesta situação, Isaltino tem que ignorar alguns atos menos claros da sua colega Olívia, que o autor, em entrevista, afirmou poderá vir a ser personagem principal no futuro.
Acompanhar as investigações de Jaime Ramos é mergulhar no mundo português de alguém que não quer saber de convenções sociais e morais. É percorrer caminhos da gastronomia portuguesa. É analisar as convulsões sociais e históricas dos últimos 40 anos em Portugal.
Em O colecionador de erva, publicado em 2012, cruza-se o mudo europeu com o africano e o brasileiro. O tráfico de droga, os negócios em Angola, tudo se combina num processo catalisador de que resultam as várias mortes.
Jaime Ramos, coadjuvado por Isaltino Morais, irá desvendar o caso, mas, como sempre, Francisco José Viegas nunca dá a resposta completa e clara a todas as dúvidas. Há sempre ilações que ficam para o leitor.

Refira-se ainda que, segundo o autor, este romance teve inspiração num caso real de que ele teve conhecimento.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A cadeira elétrica

A dupla de escritores que se oculta sob o pseudónimo de Ellery Queen, usou o  de Barnaby Ross para criar uma outra personagem: Drury Lane, um ator reformado, que foi protagonista em quatro livros.
Num deles, A Tragédia Z, é relatada de forma objetiva a execução na cadeira elétrica de um condenado de nome Scalzi, mostrando de forma clara a crueldade do ato.
A descrição dura cerca de duas páginas, mas deixo aqui apenas um breve trecho, com tradução minha, da versão espanhola, dado que não possuo o livro em português.

A iluminação brilhante de repente caiu. O homem que estava na cadeira teve um violento sobressalto, como se quisesse quebrar as correias que o prendiam . Um fumo acinzentado girou com indolência em torno de seu capacete metalico. As mãos crisparam-se sobre os os braços da cadeira, ficaram progressivamente vermelhas, e logo de  seguida, voltaram a ficar brancas. Os nervos do pescoço esticaram-se como cordas, lívidos na sua asustadora nudez. .
Scalzi , agora, já não se movia.
A luz recuperou a sua intensidade.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quando o Cuco Chama

O irmão de uma modelo famosa não aceita o suicídio desta e contrata um detetive, Cormoran Strike, para que este prove que se tratou de um crime.
Toda a obra se desenvolve com a investigação do detetive, auxiliado pela secretária, Robin, permitindo que lentamente ele consiga aproximar-se da verdade.
Se inicialmente lhe parecia que o suicídio era a conclusão mais óbvia, os elementos novos que surgem levam-no a concluir pela existência de crime.
Este policial está concebido numa estrutura que faz lembrar as obras de Agatha Christie, com o detetive a ir investigando os vários suspeitos, testemunhas, ou personagens com outro tipo de envolvimento, uma a uma, recolhendo indícios e encontrando a falha num álibi que lhe indique o assassino. Tal como Christie, também Galbraith apresenta o caso de forma honesta ao leitor. Mostra todas as provas, permitindo-lhe concluir, se fizer uma leitura atenta, quem poderá ser o criminoso.
Robert Galbraith é o pseudónimo da conhecida J. K. Rowling, a autora da saga Harry Potter e  esta obra aparenta ser a primeira de um conjunto em que o detetive Strike e a secretária Robin serão protagonistas.
Gostei de ler, apesar de no aspeto da estrutura do policial, existirem algumas coincidências que permitiram o crime e produziram os alibis. Também uma das atitudes da vítima que condicionou a existência do crime me parece muito inverosímil.
Uma leitura a fazer para quem gosta do policial inglês clássico.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Edgar Wallace

Passam hoje 82 anos da data em que faleceu, em 10 de Fevereiro de 1932, o prolífico escritor Edgar Wallace.
Este autor inglês, nascido em 1 de abril de 1875, é bastante conhecido em Portugal, com várias obras publicadas em algumas das coleções policiais editadas no nosso país na segunda metade do século passado.
Apesar de ser um campeão de vendas, nunca foi muito bem aceite pelos seus colegas escritores contemporâneos nem pela crítica, que não lhe reconheciam qualidade nos quase 200 romances e cerca de 1000 contos escritos.
De entre as suas criações mais famosas, ficou a personagem  

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A mulher que sabia tudo

Um funcionário da inspeção tributária assiste a uma tentativa de homicídio quando vê uma mulher a ser empurrada para a linha de metro. Salva a mulher, mas na tentativa de descobrir as razões porque a pretendem a matar, vê-se envolvido num caso de sequestro e assassínio. Não sendo um polícia, com autoridade para investigar, tem que recorrer a subterfúgios que lhe permitam entrevistar os diferentes envolvidos.
Trata-se de uma história bem contada, mantendo o leitor num ambiente de bom humor, mesmo quando a situação se torna dramática e perigosa para o protagonista.

Espera-se que este inspetor tributário, que enquanto profissão para detetive amador, se não é única na literatura policial, será muito rara,  regresse para mais investigações.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Colecção Xis

A Colecção Xis, da Editorial Minerva, surgiu em 1950, sendo durante os 20 anos seguintes a grande rival da Coleção Vampiro. Editada em formato de bolso, publicou até ao início da década de setenta 202 livros, incluindo  coletâneas de contos. Em 1986 foi feita uma tentativa de reativar a edição desta coleção, mas até 1993, data em que foi publicada mais uma antologia, apenas foram publicados mais 8 volumes.
Tendo alguns autores em comum com a Coleção Vampiro, a Colecção Xis teve a marca distintiva de publicar trabalhos de alguns autores portugueses, ao contrário da coleção rival, que apenas na sua fase final publicou obras de autores nacionais, mas escritas algumas dezenas de anos antes.
Na estreia da coleção, James A. Marcus, esconde uma dupla de autores portugueses, J. P. Fernandes e A. Fernandes, mas outros se seguiram, fosse sob pseudónimo ou com o nome real.
Deixo aqui a lista dos primeiros 10 volumes, assim como a imagem do livro nº 3 da coleção, o número mais baixo que eu possuo.
1- Um crime branco, de James A. Marcus
2- Entrevista com a morte, de Leslie Ford
3 – O mistério da gaiola de oiro, de Samuel Spewack
4 – Olhos na sombra, de Edgar Wallace
5- Os sete ratinhos, de Carol Kendall
6 – Dois tiros de pistola, de W. P. Givern
7 – A última caçada, de Mignon Eberhart
8 – Morte entre amigos, de Lange Lewis
9 – Crime Impune, de Edgar Wallace
10 – A sombra do outro, de Phillips Oppenheim


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Morte com vista para o mar

O ex-professor universitário de Direito, Alberto Morgado, é assassinado de forma exacerbadamente violenta. Gabriel Ponte, ex-inspetor da Polícia Judiciária em situação de aposentação antecipada, é contactado pela sua ex-esposa, Patrícia Ponte, para ajudar na investigação do crime.
Gabriel defende tratar-se, no início, devido à violência demonstrada pelo assassino, de um crime passional, mas vai mudando de opinião, para a posição que Patrícia defende, que se estará perante um caso com motivações político-económicas, corrupção e tráfico de influências.
A trama mostra de forma muito realista como evolui uma investigação policial e o modo como as autoridades se vão aproximando da verdade, que o leitor tem a possibilidade de conhecer antes da própria polícia.
Ao longo da história vão-se sabendo as razões que levaram à saída de Gabriel da polícia, que envolvem uma outra personagem, a jornalista Filomena Coutinho, que na sequência das notícias que publica influencia o desfecho do caso.
Para ler, sem dúvida alguma.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cinema- Janela Indiscreta

É um dos grandes clássicos do cinema de suspense, mas também de toda a história do cinema.
O filme Janela Indiscreta, realizado por Alfred Hitchcok, é baseado num conto do escritor Cornell Woolrich, que também escreveu sob o pseudónimo de William Irish.
O conto It Had to Be Murder, foi publicado em Fevereiro de 1942 na Dime Detective e adaptado ao cinema em 1954 sob o título Rear Window, tendo ficado conhecido em Portugal como Janela Indiscreta.
Tendo como protagonistas James Stewart e Grace Kelly, narra a forma como um fotógrafo profissional, que está obrigado a permanecer em casa devido a um acidente, descobre que o seu vizinho da frente terá cometido um assassínio.
Woolrich e Hitchcok, dois mestres do suspense cujos talentos permitiram esta obra-prima.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Balada da praia dos cães

 Um dos excelentes escritores da literatura portuguesa da segunda metade do século XX fez uma abordagem policial num dos seus romances mais conhecidos.
Balada da praia dos cães, foi editado pela primeira vez em 1982, tendo ganhado o «Grande Prémio de Romance e Novela» atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores. A obra teve uma adaptação cinematográfica, efetuada José Fonseca e Costa, foi traduzida nas principais línguas europeias e foi selecionada pelo Sunday Times para os melhores romances estrangeiros publicados na Grã-Bretanha em 1986.
Obra com uma acentuada matriz política, aborda a situação em Portugal no início dos anos sessenta e a luta dos que tentavam derrubar o regime instituído. Neste contexto surge um crime. Um cadáver aparece numa praia, e é o chefe de brigada, Elias Santana, quem investiga o crime. Esta obra de José Cardoso Pires não faz parte, normalmente, das listagens de livros policiais, todavia, todo o processo de investigação do caso segue a matriz do género: averiguação do autor do crime, recolha de testemunhos e de documentos acerca do modo de vida da vítima e como passava o tempo nas vésperas de desaparecer, cumplicidades e conflitos entre os polícias encarregados do inquérito, progressão das investigações por confronto dos suspeitos, dos resultados da análise de laboratório, das opiniões entre os polícias e das divergências de datas e horários.
Um bom romance de características policiais.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Blackpot

BlackPot é um conto publicado em livro.
Obra póstuma de Dennis McShade, Dinis Machado, publicada em 2009, aborda a temática policial da mesma perspetiva que os anteriores livros, cujo protagonista fora Peter Maynard: do lado dos criminosos.
Tal como nos livros anteriores, onde Maynard, um assassino profissional, fica sempre vencedor, também aqui existe um assassino que vence, numa história em que todas as personagens são criminosas, morrendo sucessivamente, na luta pelo poder. McShade não usou Peter Maynard, mas continuou a trabalhar com assassinos.

Narrado  num ritmo elevado, este conto poderia ser uma sinopse para um romance, pois estão lá  os elementos necessários: o crime, a traição e o poder.  O autor optou no entanto por esta narração curta, criando um excelente momento de literatura, de suspense e de entretenimento.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Noite de angústia

Este livro faz parte de uma aquisição feita há algum tempo, de vários exemplares da coleção Xis, que foi um sucesso editorial nos anos 50 e 60 do século passado. É o número 96, publicado em 1960, com uma novela e um conto mais curto, de um dos escritores mais divulgados naquela coleção.
William Irish é um dos grandes autores policiais da primeira metade do século XX, criando situações de grande suspense e originalidade.
A originalidade não falta neste Noite de angústia, publicado originalmente na Detective Fiction Weekly, em junho de 1938, podendo ser até questionável a exequibilidade do processo utilizado para cometer os crimes.
O título original é The room with something wrong, remetendo imediatamente para o cerne da história. Um quarto de hotel onde acontece uma série de mortes que a polícia classifica como suicídios, mas que o detetive do hotel considera terem sido crimes. Mesmo quando apresenta provas do homicídio à polícia, esta não as considera válidas.
Será contra todos, polícia e proprietário do hotel, que Striker, assim se chamava o detetive, pondo em risco a sua vida, decide provar que existe crime e descobrir quem é o criminoso.

Este livro é composto por um outro conto, Madrugada trágica, que narra os últimos momentos de um condenado à guilhotina em França, e da tentativa feita pela namorada para que o carrasco não consiga executar a sentença, tendo um final surpreendente.