quinta-feira, 24 de abril de 2014
Não é policial, mas é meu
Uma história, não policial, que me diverti a escrever.
Os eventuais interessados podem encontrá-lo aqui, aqui, ou aqui.
domingo, 20 de abril de 2014
Grandes Mistérios
A coleção policial Grandes
Mistérios, editada pela Romano Torres, surgiu em 1943 e editou 151 livros,
tendo o último volume saído em 1970.
Uma parte muito significativa dos títulos publicados são da autoria
de Gentil Marques e da sua esposa Maria Amália Marques, sob a capa de inúmeros
pseudónimos.
Na lista dos autores dos 10 primeiros volumes da coleção é
possível referenciar James Strong, Marcel
Damar, G. D. Richardson e Herbert Gibbons como pseudónimos de Gentil Marques.
John S. Falk foi um pseudónimo de Maria Amália Marques.
Quanto ao nome de Philip Barnne, não consegui encontrar nenhuma
informação, mas será também, muito provavelmente, um pseudónimo de um dos elementos
do casal.
Primeiros dez volumes.
1. Os cinco suspeitos de Park-House, James Strong
2. O mistério da bailarina chinesa, John S. Falk
3. Fui morto por um fantasma, Marcel Damar
4. O crime do Stúdio nº 7, G. D. Richardson
5. O enigma de Queen’s street, Herbert Gibbons
6- Noites tenebrosas de Xangai, John S. Falk
7. A morte espreita pela janela, James Strong
8- O crime da estrada de Colchester, Philip Barner
9- Três enforcados numa corda, Herbert Gibbons
10- O assassino mora no rés-do-chão, Marcel Damar
Fica a imagem da capa do número 113, numa fase, depois do
número 80, em que a coleção começou a publicar autores estrangeiros.
Por curiosidade, refira-se que o autor deste livro, John Creasy, foi também um dos escritores que mais pseudónimos usou, como se refere aqui.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
O Enigma do Mandarim
O Enigma do
Mandarim, The Speaker of Mandarim, foi publicado em Portugal em 1988, cinco
anos após a sua edição na língua original, e é o décimo segundo romance com a
personagem do inspetor Wexford.
A história é
narrada em dois tempos. Numa fase inicial, Wexford encontra-se na China em representação
oficial, onde estabelece contacto com um grupo de turistas ingleses e onde é
vítima de enigmáticas visões.
Numa segunda
fase, após o regresso, Wexford tem que investigar a morte de uma das turistas, ocorrida
já em território inglês, obrigando-o a estabelecer o contacto com mais alguns
dos viajantes e a tentar relembrar os episódios a que assistiu na China, com a
dificuldade de ter que destrinçar entre o que foi alucinação e o que foi real.
Há vários anos
que tentava encontrar este livro, o que consegui recentemente, daquela que é a
minha autora favorita, Ruth Rendell.
domingo, 6 de abril de 2014
A Sentinela
Pedro Coutinho,
construtor civil com um bom relacionamento nas áreas de topo do poder político,
é assassinado.
Henrique
Monroe, inspetor da Polícia Judiciária, é destacado para chefiar a investigação,
tendo a apoiá-lo a inspetora Luci.
Num homicídio
que se evidencia pela violência, várias são as pistas a seguir. Teria Coutinho
sido morto para não divulgar as ligações corruptas que tinha com alguns
políticos, e que tinham sido essenciais para alguns contratos que efetuou? Estaria
a morte do construtor civil relacionada com a atitude que tomara em defesa da
sua filha adolescentes, que teria sido vítima de abusos sexual? Poderia ser uma
das suas amantes a assassina?
Na narração da
investigação, cruza-se a vida pessoal e familiar de Monroe com um presente
totalmente condicionado pelo que foi a sua infância nos Estados Unidos e pela
sua relação com a mãe, o pai e o irmão.
Gostei da parte
do romance que se refere ao crime, às suas causas, à investigação e ao pormenor
que permitiu descobrir quem matou Pedro Coutinho. Já não gostei tanto dos
aspetos relacionados com o passado de Monroe, das descrições dos seus relacionamentos
familiares, e da forma como ambos cruzam a investigação.
Foi o segundo
livro de Zimler que li. O primeiro, há já alguns anos, foi O último cabalista
de Lisboa, que me deixou fascinado, pelo que aguardava igual sensação com este,
o que não sucedeu.
Mesmo sem me deslumbrar, foi um livro de que globalmente gostei.
Mesmo sem me deslumbrar, foi um livro de que globalmente gostei.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Uma Aventura Inquietante
José Rodrigues
Migueis é um dos mais importantes escritores do século XX, com vasta obra
publicada. Entre os livros de que é autor encontra-se um romance policial, dos
mais bem escritos e concebidos por autores portugueses, intitulado “Uma
aventura inquietante”.
Foi publicado
no semanário “O diabo” entre 16 de Setembro de 1934 e 12 de Julho de 1936.
Desde que se iniciou o folhetim e até 23 de Junho de 1935 a publicação foi
regular. Nessa data, o escritor partiu para os Estados Unidos, ficando o romance
inacabado. Viria a recomeçar em 7 de Junho de 1936, devido aos insistentes
pedidos dos leitores, que queriam saber como terminaria a história.
Só nessa altura
se soube que o autor do romance era José Rodrigues Miguéis, que iniciara a
publicação da obra sob o pseudónimo de Ch. Vander Bosch, autor belga,
aparecendo o seu nome apenas como tradutor da obra.
Em 1958 a obra
surgiria em livro, tendo-lhe o autor introduzido um texto no início, “À laia de
introdução”, e um posfácio, “Começo e fim de uma aventura”.
O livro
descreve as atribulações de um português, Zacarias d’Almeida, natural de
Alcanhões, enredado numa situação de troca de identidades por terras do norte
da Europa.
A construção do
romance cria um ambiente muito intenso, deixando o leitor na perspetiva de
pensar que já percebeu toda a trama, e de repente vê tudo a baralhar-se
novamente. A ação segue um ritmo fulgurante, cheio de peripécias e incidentes,
prendendo sempre a atenção de quem lê.
Não deve o
leitor também deixar de apreciar o humor cáustico de José Rodrigues Miguéis
sobre as instituições da época, comparando com o que se passa nos dias de hoje
e percebendo a sua atualidade.
Trata-se de uma
obra única no panorama da literatura policiaria em Portugal, pela construção do
enredo e pela própria construção narrativa, que deixa o leitor a duvidar sobre
quem será o narrador.
Uma obra que
todos os gostam de boa literatura e de boa literatura policial não devem
perder.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Mário Domingues
Faz hoje 77
anos que faleceu, em 24 de março de 1977, Mário Domingues.
Nascido na ilha
do Príncipe em 3 de Julho de 1899, que
na época era parte constituinte do território português ultramarino,
veio ainda criança para a metrópole, para
casa de uma avó.
Publicou a sua
primeira novela policial, O Homem sem
boca, que ficou incompleta, na coleção
Novela Policial. Em 1954, no primeiro número da coleção ABC Policial,
editada por Artur Varatojo, Mário Domingues deu um final a essa novela.
No que concerne
à literatura policial escreveu apenas um romance sob o seu nome, O crime de Sintra, em 1938, publicado no
número 14 da coleção Detective. Todos os outros foram publicados sob os mais
variados pseudónimos. Fica aqui a lista de alguns que Mário Domingues utilizou,
não sendo de excluir que existam outros ainda desconhecidos: Fred Criswell,
Henry Jackson, James Black, Joe Waterman, Marcel Durand, Max Felton, Nelson
McKay, Peter O’Brion, Thomas Birch e W. Joelson.
Na literatura
para os mais jovens criou o aventureiro russo Anton Ogareff e o cow-boy Billy
Keller, com vários livros publicados, utilizando um pseudónimo com nome duplo, Henry
Dalton e Philip Gray.
Teve também
obra de relevo na divulgação da história de Portugal, com a publicação das
biografias de várias personagens históricas, que lhe valeu a atribuição do grau
de Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, destinada a distinguir
individualidades de relevo nas Ciências, nas Artes e nas Letras
quinta-feira, 20 de março de 2014
O mistério da casa vermelha
A. A. Milne publicou The Red House Mistery em 1922,
constituindo-se o livro um sucesso de vendas imediato. O autor viria a ser
conhecido mundialmente, pela criação posterior a esta data das personagens
Winnie-the-Pooh e Christopher Robin, que a Disney adaptaria ao cinema.
Marc Ablett, o
proprietário da casa vermelha, gostava de ter sempre convidados na sua casa. Foi
na tarde de um dia em que as cinco pessoas que ele convidou foram jogar ténis,
que chegou o seu irmão residente na Austrália há vários anos. Além de Marc,
encontravam-se na casa o seu primo e homem de confiança, Mathieu Cayley, e
todos os empregados.
Foi numa sala
fechada que, logo após a sua chegada, apareceu morto Robert, o irmão de Marc.
A investigação foi
feita por Antoine Gillingham, que surgiu na casa segundos após o crime ter
ocorrido, para visitar um dos convidados, Bill Beverley.
O autor pretendeu
fazer de Antoine um novo Sherlock Holmes e de Bill um Watson, que ia questionando
Antoine para que ele expressasse o seu raciocínio dedutivo.
Como em muitas
obras desta época, na literatura policial inglesa, estamos perante a
aristocracia britânica, com pessoas que vivem apenas dos rendimentos, nada
fazem e com as casas cheias de empregados para todos os serviços.
Embora a forma
como o crime foi cometido seja bastante interessante, todo o processo de
investigação é muito pobre e as motivações e atos das personagens são muito
inverosímeis.
Sem dúvida que é
uma obra de qualidade mais baixa que as de outros autores ingleses
contemporâneos de Milne.
A edição
portuguesa é de 1955 e foi publicada na Colecção Xis.
quinta-feira, 13 de março de 2014
O caso da moldura dourada
O Caso da Moldura Dourada
foi o livro que iniciou a colecção Clube do Crime da editora Europa-América. A
obra original, The Beautiful Golden Frame,
foi publicada em 1980, sendo imediatamente traduzida para português e
publicada, de modo a marcar a abertura da coleção com uma obra contemporânea.
O livro tinha uma capa original, em que a moldura de um espelho
se apresentava em relevo.
A história descrevia mais um caso do detective Mark Preston,
a criação de Peter Chambers,
pseudónimo do escritor Dennis Phillips,
numa narrativa que por vezes se torna um pouco confusa.
Mark Preston é contratado pelo milionário Bernard Rivers,
quando a sua casa sofre a ameaça de ser incendiada por uma mulher que ele julga
enlouquecida. Rivers acha que mais do
que o objetivo de queimar a casa existe a vontade de queimar um retrato da sua
falecida esposa.
O desenvolver da investigação vai levar Mark Preston ao mundo
do falecido autor do retrato e à tentativa de estabelecer uma ligação com a
ameaça que milionário está a sofrer.
Se o desenlace da história é bem conseguido e a própria
sequência da trama, apesar de seguir por vezes caminhos menos claros, mostrar
um ritmo bem interessante, já o mesmo não se pode dizer em relação à razão pela
qual o detective é contratado. É o ponto fraco de todo o enredo.sábado, 1 de março de 2014
Georges Simenon
Georges Simenon -(1903-1989)- marca a literatura policial com a sua
personagem Maigret, comissário da polícia Judiciária Francesa.
Simenon trouxe um novo estilo ao romance policial da Europa. Com ele o
crime passou a ser um mero acessório da história. As personagens são o mais
importante; os seus impulsos, os seus ódios, os seus amores e o meio social
onde vivem. O criminoso comete sempre o crime porque um conjunto de razões
exteriores o levam a isso.
Simenon retrata toda a sociedade francesa, desde a mais alta sociedade
burguesa e aristocrática, às prostitutas e bêbados dos bairros que vagueiam nas
ruas, mostrando como surge o crime e o que o motiva. Expõe o íntimo das personagens,
e é essa a via utilizada para colocar Maigret a descobrir o criminoso.
Com Simenon existe sempre uma razão objetiva e real para cometer o crime
e, muitas vezes, o criminoso recebe a compreensão e simpatia do polícia, que o
prende apenas porque é o seu dever.
Apesar de ter um grande número de romances e novelas utilizando a personagem de Maigret, Georges Simenon tem ainda mais
obras em que não o faz, tornando-se num escritor extremamente prolífico, mas
mantendo uma elevada qualidade, criatividade e originalidade.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
O Colecionador de erva
Francisco José Viegas
é um caso de longevidade na escrita de livros policiais. Desde 1987 que Jaime Ramos
e Filipe Castanheira, em conjunto ou individualmente, são protagonistas na investigação
de crimes. Com alguns dos seus livros seus publicados na França, no Brasil, na
Alemanha, na Itália e na República Checa, este autor é um exemplo de que é
possível criar ambientes de investigação criminal em Portugal e exportá-los
para outros públicos.
Jaime Ramos, inspetor da Polícia Judiciária, a personagem
criada por Francisco José Viegas, aparece mais uma vez na investigação de um
conjunto de mortes. Surgem cadáveres, aparentemente sem ligação, obrigando
Ramos e a sua equipa ao trabalho de averiguação, tentando ligar essas mortes ao
desaparecimento de uma jovem de uma família tradicional do norte do país.
Embora sendo polícia,
fica-se por vezes com a dúvida de qual é o lado em que Jaime Ramos ou os seus
subordinados se colocam, nomeadamente quando, como ocorre nesta situação, Isaltino
tem que ignorar alguns atos menos claros da sua colega Olívia, que o autor, em
entrevista, afirmou poderá vir a ser personagem principal no futuro.
Acompanhar as investigações de Jaime Ramos é mergulhar no mundo
português de alguém que não quer saber de convenções sociais e morais. É percorrer
caminhos da gastronomia portuguesa. É analisar as convulsões sociais e
históricas dos últimos 40 anos em Portugal.
Em O colecionador de
erva, publicado em 2012, cruza-se o mudo europeu com o africano e o
brasileiro. O tráfico de droga, os negócios em Angola, tudo se combina num
processo catalisador de que resultam as várias mortes.
Jaime Ramos, coadjuvado por Isaltino Morais, irá desvendar o
caso, mas, como sempre, Francisco José
Viegas nunca dá a resposta completa e clara a todas as dúvidas. Há sempre
ilações que ficam para o leitor.
Refira-se ainda que, segundo o autor, este romance teve
inspiração num caso real de que ele teve conhecimento.
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