domingo, 18 de outubro de 2009

Série negra

Na década de 80 surgiu a colecção Série Negra, editada pelas Edições Regra do Jogo. Publicava essencialmente autores já bem conhecidos e obras que tinham obtido sucesso, sendo algumas já consideradas clássicas da literatura policial.
O português Artur Cortez também foi publicado na colecção, assim como um espanhol que começava a ser reconhecido internacionalmente, Manuel Vasquez Montalban.
Os primeiros cinco livros foram:
Na jogada de William Riordan
O falcão de Malta de Dashiell Hammett
Levine em Hollywood de Andrew Bergman
Ceifa Vermelha de Dashiell Hammett
A chave de Vidro de Dashiell Hammett.
Publicaram-se 21 volumes-

Capa de Alberto Lopes para o n.º 18

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cara a cara

Face to face, Cara a cara em português, é um dos derradeiros livros escritos pela dupla Ellery Queen e protagonizado pela personagem homónima.
Começando de uma forma pouco realista, marcada por coincidências, a história vai ganhando consistência, fazendo surgir em cena algumas personagens curiosas.
O crime surge logo nas primeiras páginas. O número de suspeitos é enorme: um homem e várias mulheres que mantêm ou mantiveram um relacionamento amoroso com ele.
Comparando este livro com os primeiros da série, vemos um Ellery menos investigador, expondo pouco as suas ideias a não ser no final quando desvenda quem é o criminoso, e resolvendo o caso mais por uma acto de inspiração momentânea, por mero acaso, do que por uma dedução lógica e fundamentada.

sábado, 10 de outubro de 2009

Margery Allingham

Margery Allingham nasceu em 20 de Maio de 1904, tendo falecido em 30 de Junho de 1966. Em 1929 escreveu The Crime at Black Dudley, também conhecido como The Black Dudley Murder. É neste romance que surge Albert Campion o aristocrata inglês, que no entanto tem como melhores amigos alguns dos maiores vigaristas e ladrões.
As primeiras histórias de Albert Campion seguem uma linha de aventuras que se sucedem numa sequência de episódios, estando o aspecto policial como mero acessório.
A partir de Death of a Ghost, em 1934, que foi editado em Portugal sob o tíltulo Morte de um fantasma, a série aproxima-se das características do policial mais clássico, com o crime o processo de dedução que conduz à descoberta do criminoso.
O último livro de Margery Allingham, A Cargo of Eagles, foi terminado por pelo seu marido Philip Youngman Carter, apósa morte da escritora.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não Incomode

A partir de 1983 a editora Gradiva publicou a colecção Não I. Com um estilo de edição muito heterógeneo, variando entre o policial clássico e as novas tendências, editou 40 volumes.
Nos livros publicados podemos encontrar Charles McCarry, Colin Dexter, Delacorta, Dick Francis, Dieter Eisfeld, Ed McBain, Edgar Wallace, Emma Lathen, Eric Ambler, G.K. Chesterton, Giorgio Scerbanenco, Herbert Lieberman, June Thomson, Len Deighton, Marion Zimmer Bradley, Mary Higgins Clark, Michael Crichton, Michael Gilbert, Patrícia Highsmith, Paul-Loup Sulitzer, Peter Lovesey Ruth Rendell, Sara Paretsky, Sébastien Japrisot e Warren Murphy.
A colecção abriu com Azul cobalto de Patrícia Highsmith, seguindo-se Congo de Michael Crichton, A inocência do padre Brown de Chesterton, Entre o silêncio e uma morte mais profunda de Ruth Rendell e O homem terminal de Michael Crichton.

Capa da autoria de Armando Lopes para o volume n.º39

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O minuto 180

A obra O minuto 180 tem uma abordagem transversal ao estilo policial e à espionagem. Parecendo, durante quase todo o texto, um enredo de espionagem, termina no entanto com um desenlace de estilo policial.
Foi publicada pela primeira vez em 1964 e é seu autor Dick Haskins, também o nome do protagonista.
A estrutura do livro parece um filme, com as suas mudanças de plano e de cenário, num estilo muito próprio deste autor português.
A história começa com uma bomba colocada num avião, desenvolve-se entre Londres e Munique e conta com um número significativo de vítimas mortais.
Não é das melhores obras de Haskins, com muitas coincidências a fazerem seguir a trama, nem o autor é muito “honesto” com o leitor, induzindo-o em erro, não lhe contando a história toda nem a contando de forma correcta, mas conseguindo que ele se mantenha preso à narrativa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Earl Derr Biggers

Earl Derr Biggers foi um escritor americano, nascido em 26 de Abril de 1884 e falecido em 5 de Abril de 1933.
Escreveu vários livros de mistério, mas a sua principal criação foi o detective de origem chinesa, pertencente à polícia de Honolulu, Charlie Chan.
Devido às características da personagem a sua linguagem é bastante metafórica, o que torna a leitura agradável.
O seu livro, não pertencente à série de Charlie Chan, Seven Keys to Baldpate, teve 7 adaptações cinematográficas além de também ter sido representada em teatro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Clube do crime

No início da década de 80 as Publicações Europa-América lançaram uma colecção de bolso que estaria no mercado por mais de 10 anos, publicando mais de 150 volumes. Era a colecção Clube do crime.
Publicava obras já bastante conhecidas, desde os primórdio da literatura policial como A mulher de branco de Wilkie Collins; de autores que estão na origem do sucesso deste género literário: Arthur Conan Doyle, G.K. Chesterton, Gaston Leroux e Edgar Wallace; e das gerações posteriores que colocaram a literatura policial num nível qualitativo elevado, como Patrícia Highsmith, Ruth Rendell, Dorothy L.Sayers ou Ngaio Marsh.
Frank Gold foi o único autro português com direito a ser publicado nesta colecção.
Capa do n.º 39

Os primeiros cinco volumes foram:
O caso da moldura de ouro de Peter Chambers
Uma rapariga simpática e sossegada de Philips Daniels
Tragédia no tribunal de Cyril Hare
Benet I – O caso dos corpos decapitados de Elliot lewis
O crime da praia do paraíso de Carrter Brown.


Capa do n.º 149

domingo, 20 de setembro de 2009

O mistério do chapéu romano

É o primeiro livro da série Ellery Queen escrito pela dupla que sob pseudónimo também assinava como Ellery Queen.
Tirando o facto de ser a primeira obra onde surge a personagem, arrastando desta forma uma pesada carga histórica, o livro nada tem de interessante.
A história é fraca, as personagens não têm vida própria, estão ali apenas a cumprir o papel necessário à descrição do crime, o enredo é pouco verosímil, a forma como foi cometido o crime ainda o é menos e existem demasiadas coincidências que apenas têm como objectivo esconder o assassino.
Trata-se de um crime cometido na plateia de um teatro durante um espectáculo. Apesar da sala estar cheia ninguém viu o assassino.
Desde o início que os Queen acham que a resolução do mistério está no facto de o chapéu da vítima ter desaparecido, e é a busca da explicação para esse desaparecimento que os leva ao criminoso.
Neste livro a principal personagem acaba por ser Richard Queen, o pai de Ellery. Embora no final atribua a descoberta da verdade ao filho, a verdade é que toda a investigação é dirigida por ele e a explicação do sucedido também é ele quem a faz.
Na introdução ao livro o narrador refere que à época Ellery já vive em Itália, casado e com um filho, o que obviamente irá entrar em contradição com os futuros casos que resolve, numa época posterior e ainda a viver nos Estados Unidos.
São visíveis neste livro alguns estereótipos racistas, de superioridade dos brancos, em que o caso da atitude dos Queen perante Djuna é o mais evidente, mas não só, como se poderá verificar no final da história.
A dupla Ellery Queen viria a escrever livros de muito maior qualidade.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Arséne Lupin

Arséne Lupin nasceu da imaginação criativa de Maurice Leblanc, quando um editor pediu ao escritor um conto de aventuras em 1906. A partir dessa data foram vários os textos em que a personagem fez a aparição, tal foi o sucesso junto do público, em conto, romance e teatro.
O nome original era Arséne Lopin, mas um cidadão com o mesmo nome não gostou, reclamou, e o nome do “ladrão de casaca” foi alterado.
A personagem foi evoluindo com o tempo. Começou como um gatuno cavalheiresco, mas lentamente foi evoluindo para castigador dos próprios criminosos, embora continuasse à margem da lei e a sua actuação não fosse desejada pela polícia. Acaba por terminar a carreira do lado da lei e da ordem.
Arséne Lupin usou muitos pseudónimos nas suas histórias, alguns deles anagramas do seu nome: Luis Perenna e Paul Sernine.
Quando Leblanc quis publicar Arsene Lupin contra Sherlock Holmes, Conan Doyle não autorizou e Leblanc contornou a situação mudando o nome das personagens do autor inglês. O livro passou a chamar-se Arsene Lupin contra Herlock Sholmes, passando o Dr. Watson a Dr. Wilson.

sábado, 12 de setembro de 2009

S. S. Van Dine

S.S. Van Dine é o pseudónimo do escritor e crítico Willard Huntington Wright nascido em 1888 e falecido em 1939. Era um amador de arte e música, tal como a personagem de detective amador que criou: Philo Vance.
Em 1907 tornou-se crítico literário no Times de Los Angeles, ocupando igual cargo no Town Topics entre 1910 e 1914. Até 1923 continuou a escrever crítica literária, livros sobre arte e música e ainda um romance em 1916.
Devido ao seu estado de saúde, entre 1923 e 1926 foi obrigado a descansar. Nesse período reuniu uma biblioteca de cerca de 2000 livros de criminologia e literatura policial. Achando que a literatura policial nos Estados Unidos era desinteressante e sem qualidade decidiu escrever para um público mais exigente e assim nasceu O caso Benson. O sucesso da sua obra levou-o a escrever 12 livros da série Philo Vance, contrariando a sua teoria que nenhum escritor tinha mais do que meia dúzia de boas ideias para escrever bons livros policiais. A sua teoria tem confirmação na sua obra, com os diferentes livros a possuírem uma qualidade bastante desigual.