quarta-feira, 20 de maio de 2009

Pepe Carvalho

Quando em 1972 a personagem de Pepe Carvalho surgiu no livro Yo maté a Kennedy. Impresiones, observaciones y memorias de un guardaespaldas, da autoria de Manuel Vazquez Montalban, ninguém imaginaria que acabara de nascer uma das personagens mais interessantes da literatura policial do século XX.
Pepe Carvalho é um ex-agente da CIA, ex-membro do partido comunista espanhol, que trabalha como detective particular. É também um gastrónomo. Algumas das páginas dos seus casos relatam sabores e odores de cozinhados e muitas vezes a descrição da sua confecção.
Os casos de Pepe Carvalho não se reduzem à Espanha, levam-no através do planeta, sempre com uma visão muito crítica do mundo, das pessoas e das relações sociais. Visão essa, de falta de esperança, que acaba por se traduzir na destruição que Pepe Carvalho faz da sua biblioteca, usando os livros para acender o fogo.
Em Portugal estão ainda por publicar alguns dos livros da série. Os pássaros de Banguecoque, As termas, O prémio, Milénio I, Milénio II, Assassinato no comité central, O quinteto de Buenos Aires, Os mares do Sul e Tatuagem, foram os únicos de que encontrei referência da pubicação.

sábado, 16 de maio de 2009

Dick Haskins



Dick Haskins é o pseudónimo literário de António Andrade de Albuquerque, escritor português nascido em Lisboa em 18 de Novembro 1929.
O facto de os leitores portugueses não aceitarem bem os autores nacionais levou-o, por exigência editorial, a utilizar um pseudónimo com nomes ingleses.
Em 1954 publicou o seu primeiro livro, O isqueiro de ouro, que viria a ser o primeiro de uma série de sucessos editoriais, traduzidos em mais de 20 países. Sem dúvida que o escritor português de livros policiais de maior sucesso e mais conhecido no mundo inteiro.

Romances:

Lisboa 44
A embaixadora
Estado de choque
O sono da morte
A sétima sombra
Porta para o inferno
O isqueiro de ouro
A minha missão é matar
O fio da meada
Premeditação
A hora negra
O espaço vazio
Obsessão
Quando a manhã chegar
O último degrau
O minuto 180
A noite antes do fim
Suspense
Processo 327
O jantar é às oito
Climax
Psíquico
Labirinto
Fim de semana com a morte

Contos

O último fim
Execução
O precipício
Seis minutos roubados
A queda
A vítima
Alma na escuridão
A porta fechada
O momento psicológico

Em 2007 publicou, desta vez sob o seu verdadeiro nome, dois livros fora do estilo policial:
O papa que nunca existiu e O expresso de Berlim.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Colecção Policial

A Colecção Policial foi uma edição da Empresa Nacional de Publicidade e durou 43 números. Não é fácil identificar a data de início de publicação, mas recorrendo aos registos da Biblioteca Nacional, situar-se-á provavelmente em 1945, tendo o último volume sido editado em 1959 ou 1960.
Foi uma colecção pequena, em número de volumes editados, mas de boa qualidade, onde além da publicação de autores já há época com elevada notoriedade, surge pela primeira vez Dick Haskins.
Fica a lista de livros e de autores publicados.
Nº 1, As quatro garras, de Henry Holt;
nº 2, Um desafio à polícia de Cecil Freeman Gregy;
nº 3, O mistério dos três suicidas, de J. Mallorqui;
nº 4, Uma prenda macabra, de J. Morand;
nº 5, O mistério das aparições, de Herbert Adams;
nº 6, O crime dum médico, de Andrew Soutar;
nº 7, Bando sinistro, de Hugh Clevely;
nº 8, A noite fatal., de Herbert Adams;
nº 9, A herança do banqueiro, de Mac Dennis;
nº 10, Verde … sinal de perigo, de Christianna Brand;
nº 11, A voz misteriosa, de Henry Holt;
nº 12, Um caso tenebroso, de Carlton Walace;
nº 13, Um grito na noite de Natal, de Agatha Christie;
nº 14, O enigma do dossier 973, de Carlton Walace;
nº 15, Fim de semana trágico, de Agatha Christie;
nº 16, A morte de Carolina Bundy, de Alice Campbell;
nº 17, A mensageira vermelha, de Henry Holt;
nº 18, A marca infamante, de Seldon Truss;
nº 19, O caso Garden, de S.S. Van Dine;
nº 20, Rapto, de S.S. Van Dine;
nº 21, Os crimes do unicórnio, de Carter Dickson;
nº 22, O mistério da corda de prata, de Henry Holt;
nº 23, A morte misteriosa, de Carter Dickson;
nº 24, O macaco de barro, de Austin Freeman;
nº 25, A gargalhada da morte, de Herbert Adams;
nº 26, Cigarros perfumados, de S.S. Van Dine;
nº 27, O crime no lago, de John Dickson Carr;
nº 28, O canário coxo, de Erle Stanley Gardner;
nº 29, Seis crimes sem assassino, de Pierre Boileau;
nº 30, A herança trágica, de Anthony Gilbert;
nº 31, O caso do bispo gago, de Erle Stanley Gardner;
nº 32, A casa da peste, de Carter Dickson;
nº 33, Sequestrada, de Anthony Gilbert;
nº 34, Um caso para Salomão, de Bruce Graeme;
nº 35, A tragédia de Z, de Ellery Queen;
nº 36, A morte de saltos altos, de Christianna Brand;
nº 37, A casa dos ursos, de John Creasey;
nº 38, O sono da morte de Dick Haskins;
nº 39, O relógio da morte, de John Dickson Carr;
nº 40, O caso dos suicídios, de John Dickson Carr;
nº 41, O triunfo do inspector West, de John Creasey;
nº 42, A bengala-de-estoque, de John Dickson Carr;
nº 43, A caixa de rapé, de John Dickson Carr.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Manuel Vazquez Montalban

Manuel Vazquez Montalban nasceu em Espanha no dia 27 de Julho de 1939 e morreu na Tailândia em 18 de Outubro de 2003. A obra de Montalban vai muito para além do género policial, mas foi a personagem do detective Pepe Carvalho que o tornou lido por milhões de pessoas em todo o mundo.
Para os críticos do romance policial, que o menorizam , criticando os autores por se centrarem apenas no crime, Montalban é a resposta que lhe mostra estarem errados. Os livros policiais que escreveu vão muito além do crime. Há todo um contexto histórico e social que acaba até por se sobrepor, por vezes, ao próprio crime. As personagens não são apenas meros peões colocados em locais estratégicos para servirem de suporte ao crime, são elementos com passado, com amores e ódios presentes, inseridas na sociedade, e é esse papel social que têm, que torna relevante a sua presença na história.
Ler os livros da série Pepe carvalho é mergulhar na história recente da Espanha. A história dos últimos 40 anos do século vinte e as transformações políticas e sociais ocorridas no país, encontram-se bem descritas e evidentes na obra de Manuel Vasquez Montalban.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Peter Maynard

Peter Maynard, de alcunha “califa”, é um assassino. Mata por dinheiro, para cumprir o contrato que estabeleceu .
Sofre de uma úlcera no estômago que o obriga a quase só beber leite. Essa úlcera provoca-lhe dores e insónias, em especial nos momentos anteriores às tomadas de decisão. Quando está em acção os sintomas passam.
Dispara bem a arma, uma pistola Beretta, e mata sem qualquer remorso desde que seja pago para o fazer, sem recurso a mortes espectacularmente ensaiadas mas com eficácia. Encontra a vítima, aponta, dispara a matar, frente a frente para não poder falhar.
Quando não está em acção é um indivíduo que mostra os seus gostos por arte, literatura, música erudita e… por Olga
Um bom assassino profissional, Maynard, é como um bom actor, um bom político ou um bom vendedor de pentes. Importante é que se saiba o que se está a fazer, com eficiência. E, no teu caso, com sobriedade
Este pensamento, expresso por Maynard logo no primeiro livro, é a melhor descrição do carácter da personagem.
A personagem foi criada por Dennis McShade, pseudónimo do português Dinis Machado.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Leslie Charteris

Leslie Charles Bowyer-Yin, que escreveu sob o nome de Leslie Chateris, nasceu em 12 de Maio de 1907 e faleceu em 15 de Abril de 1993. Além de escritor de histórias policiais foi também argumentista de cinema.
Foi o criador da personagem Simon Templar, mais conhecida por “O santo”, que surgiu pela primeira vez na novela The Saint Meets the Tiger em Setembro de 1928, a que se seguiram muitas dezenas mais.
O Santo é uma personagem que vive na margem da legalidade, tendo em determinada fase sido mesmo perseguido pela polícia. É uma espécie de Robin dos Bosques do século XX.
As histórias escritas por Charteris oscilam entre o género policial, com crime, investigação e descoberta do criminoso, em alguns casos, e a simples história clássica de aventuras, cheia de movimento e riscos para O Santo, mas sem qualquer investigação detectivesca.

domingo, 26 de abril de 2009

Patricia Cornwell

Patricia Cornwell nasceu em 9 de Junho de 1956 em Miami, na Flórida.
Tem uma temática muito específica nas suas obras, abordando temas forenses e tendo quase sempre como criminosos perigosos psicopatas.Aliás, o desequilíbrio psicológico e emocional não é só uma característica dos criminosos, mas de várias personagens secundárias dos seus livros.
Iniciou-se na escrita com um tema não ficcional: A Time for Remembering, mais tarde reeditado com o título Ruth: A Portrait, e que é uma biografia de Ruth Bell Graham.
Foi em 1990 que publicou, Post mortem, aquele que viria ser o primeiro episódio de uma série de sucesso, que tem como protagonista a médica legista Kay Scapetta.
É ainda autora de mais duas séries: Andy Brasil e Win Garano.
Tem quase todos os seus livros editados em Portugal, na Editorial Presença.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Estorninhos grelhados com polenta

Todos os anos, nos meados de Maio, 18 a 20 estorninhos são abatidos e transportados até à casa de Nero wolfe num prazo de duas horas.
O cozinheiro Fritz depena-os, salpica-os com sal e, quando acha conveniente, pincela-os com manteiga derretida. Os estorninhos são envolvidos em folhas de salva, grelhados e colocados num prato de polenta quente. A polenta é feita com farinha de milho amarelo, moída muito fina, formando uma papa espessa com manteiga, queijo ralado, sal e pimenta.
No ano em que Fritz resolveu adicionar aos estorninhos açafrão e estragão sem avisar Nero wolfe este ficou furioso. Como Archie Gododwin achou esse comportamento infantil, resolveu levar-lhe um adolescente, que entretanto tocara à campainha, para que ele lhe contasse uma história que achava muito grave.
Nasceu aí o caso “ As aranhas douradas”.

sábado, 18 de abril de 2009

Dennis McShade

Dennis McShade é o pseudónimo de Dinis Machado, escritor português nascido em 21 de Março de 1930 em Lisboa e falecido a 3 de Outubro de 2008.
Em 1967 lançou um livro, na colecção Rififi, que então dirigia, onde criaou a personagem de Peter Maynard, um assassino profissional. Trata-se de uma obra diferente no panorama da literatura policial, de um autor que nada a fica a dever aos maiores mestres internacionais, como Chandler ou Hammet.
A sua produção escrita neste género foi curta:
A mão direita do diabo (1967);
Requiem para D. Quixote (1967);
Mulher e arma com guitarra espanhola (1968);
Todos com a personagem Peter Maynard
Está previsto que em 2009 saia um inédito, Blackpot.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Colecção Vampiro

Hoje em dia, dificilmente se encontram colecções dedicadas à Literatura Policial. Por norma as editoras publicam autores de forma isolada, e portanto já consagrados. Algumas tímidas colecções que existem têm edição muito irregular.
Na segunda metade do século XX não foi assim. Foram diversas as editoras que apostaram em colecções especializadas e que dessa forma divulgaram inúmeros autores.
Uma das mais importantes foi a Vampiro da editora Livros do Brasil.
A colecção iniciou em Abril de 1947 com Poirot desvenda o passado, Five litle pigs. Penso que terá sido a primeira edição de Agatha Christie em Portugal. Pelo menos não encontrei registo na base dados da Biblioteca Nacional de edição anterior.
Tinha edição mensal, que manteve com regularidade durante mais de 50 anos. Os primeiros livros eram importados do Brasil, sendo a tradução brasileira, mas o sucesso que obteve junto do público português levou a que começassem a ser feitas traduções, nem sempre da melhor qualidade, para o português europeu.
O último livro publicado foi o número 703, já no ano de 2008. Espera-se que a colecção não tenha terminado e que continue a divulgar a literatura policial.
Fica o registo dos primeiros cinco livros da colecção:
1 - Poirot desvenda o passado, (Five litle pigs), de Agatha Christie
2 - O mistério dos fósforos queimados, ( Halfway house), de Ellery Queen
3 - O caso das garras de veludo (The case of the velvet claws), de Erle Stanley Gardner
4 - O barco da morte ( Death on the Nile), de Agatha Christie
5 - Knock-out ( Knock-out), de Sapper.